segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Viva a lei de Gérson!

Sem resumo

O meio-campista Gérson ficou célebre não apenas por ter sido uma das maiores estrelas do tricampeonato brasileiro em 1970, mas por ter formulado, na propaganda do cigarro Vila Rica veiculada anos depois, aquela que viria a ser conhecida como lei de Gérson: "O importante é levar vantagem em tudo, certo?" - frase dita num carregado sotaque carioca, forçando os erres até o palato ficar encharcado. Gérson tentou por muito tempo se desvencilhar da fama de patrocinador dos espertalhões, patrono dos corruptos e propagandista dos canalhas, mas não teve jeito. A lei de Gérson pegou. Sociólogos, antropólogos e a nata da intelectualidade brasileira já gastaram horas e mais horas, tinta e mais tinta, neurônios e mais neurônios para condenar nossa brasileira condição gersoniana. Somos mesmo uma nação de egoístas, corruptos e sacanas, que só pensam em si e só querem saber de levar vantagem. Certo?

Errado. No fundo, Gérson deveria ter é orgulho. Só a lei de Gérson nos salva nesta era politicamente correta, em que anão virou "verticalmente prejudicado", pobre virou "excluído social", débil mental virou "diferentemente capacitado" e em que nem propaganda de cigarro é mais possível fazer sem pedir desculpas em letras garrafais. O enunciado da lei de Gérson põe a nu a essência do nosso caráter sem pudor: somos um povo que gosta de levar vantagem. E daí? Alguém aí teria orgulho de fazer parte de uma nação de trouxas e otários?

Ninguém aqui vai defender um comportamento antiético ou ilegal com base no enunciado da lei de Gérson. Se ela existe, é em primeiro lugar reflexo da nossa realidade. Veja o caso das nossas empresas. Na hora de dar entrevista e aparecer na mídia, todas querem loas a sua responsabilidade social corporativa e boa cidadania. Na hora de declarar imposto, de desempatar alguma pendenga judicial ou de conseguir autorização para obras, estão todas atrás do primeiro Rocha Mattos de plantão para livrar-lhes a cara, já que, em meio à nossa barafunda legal, a propina é questão de sobrevivência e só ela faz a economia andar.

Parece que o povo brasileiro vive uma tensão entre duas forças. Por fora, a força da imagem. Em público, todos têm de ser como que sacerdotes, com comportamento impecável, retidão moral absoluta, espinha dorsal inflexível. Os políticos corruptos são condenados com virulência, qualquer deslize de executivos tem de ser punido de forma exemplar, damos a nossos filhos a impressão de que a ira divina se abaterá sobre suas menores falhas. Esse sentimento faz a fortuna e a desgraça de prefeitos, governadores e presidentes. Por dentro, porém, irrompe a força de Gérson. Ninguém agüenta essa pressão hipócrita. Todos querem o melhor para si - e que mal há de haver nisso? De posse da menor fímbria de poder, de uma tênue nesga de oportunidade, não raro transgredimos as mesmíssimas regras cuja transgressão acabamos de condenar nos outros. Julgamos, condenamos, enforcamos e esquartejamos Gérson. Mas Gérson somos nós. Eis nosso dilema.

Para que tanta hipocrisia? Nada disso precisa ser assim. A lei de Gérson muito deveria nos honrar. Basta despi-la da hipocrisia para perceber que é a esperteza nacional que faz o Brasil se destacar em meio à mediocridade reinante no planeta politicamente correto, em que tudo tem de ser igual e insosso, em que todos acham que têm direito a tudo, em que a criatividade - e a verdadeira diferença - foram banidas. Na América Latina, os argentinos choram suas tristezas frustradas num tango melancólico, enquanto nós brasileiros damos risadas de nossas sacanagens num alegre sambinha. Qual o problema se podemos ser espertos e felizes? Quem disse que ser esperto é ruim ou necessariamente antiético? Por que ter vergonha disso em vez de usar a esperteza a nosso favor?

O empreendedorismo e a criatividade do brasileiro nada mais são que expressões dessa faceta mais nobre da lei de Gérson. Afinal, empreender não é saber aproveitar oportunidades? Criar não é violar regras estabelecidas e preconcebidas? Tudo isso não é, no fundo, saber levar vantagem? Vamos largar a mão de ser bestas e incorporar com orgulho nosso lado Macunaíma. Vamos dar um basta à histeria politicamente correta que infesta a humanidade e usar nosso próprio antídoto: a boa e velha lei de Gérson. Viva Macunaíma! Viva Gérson! Ziriguidum. Telecoteco. Balacobaco, esquindô, esquindô.

in: http://super.abril.com.br/superarquivo/2004/conteudo_124358.shtml

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Hebdomadário Dragoniano

Cansado de remar contra a maré, decidi ser pluralista. Quer isto dizer que em cada dia da semana serei sua coisa. Passo a enumerar...
À segunda-feira:
Adopto uma postura juvenilmente nacionalista. Com tatuagem e piercings a rigor, hesitarei entre dedicar-me à criação duma espécie de rafeiro lusitano com pedigree confinado ao rectângulo pátrio, ou uma variante espirituosa de tuga peregrinus, em romaria devota pelo melhor dos mundos. No pior dos casos, ultrapassarei o entorpecimento ancestral dos brandos costumes, urdindo cargas homicidas ou raides punitivos contra a claque do clube rival, ou daquele que estiver mais a jeito nesse dia.
À terça-feira:
Serei marxista-leninista-stalinista et al (caiado a parlamentarismo de conveniência). Acharei bem que se mate, interne ou dê sumiço a quem não concorde comigo porque põe em risco a revolução e o caminho para a redenção humana. Morrem, são lobotomizados ou evaporam-se por uma boa causa e o que conta é a intenção. Os fins justificam os meios. Ámen.
Às quartas:
Serei democrata-liberal, de manhã; e democrata-neoliberal, à tarde. Tecerei louvas e incensos ao indivíduo e prostar-me-ei, às toladas e vénias, virado para Wall Street, em vassalagem ao Alá-Mercado e à pedra negra da Sociedade Anónima. Nada de pegar em armas: apenas calculadoras, telemóveis e portáteis. As armas, abençoadinhas não obstante, apenas as venderei para que outros se matem. De preferência pretos, árabes, monhés, chinocas ou quaisquer dessas escórias que não o branco anglófono made em Harvard, Yale ou Oxford e a sua corte internacional de cheira-cus e beija-rabos. Aproveito a confusão para mandar matar também alguns, cada vez mais, muito maus, que se opõem à redenção da humanidade pelo Milagre do Mercado, e vou sacando matérias primas e mão-de-obra ao preço da uva mijona.
À quinta-feira:
Serei democrata-cristão. Militarei sob um permanente estado de espírito esquizofrénico: a minha metade liberal, qual Caim belicoso, tentará matar a outra metade devota; a parte de mim que venera Mamon, arma emboscadas à minha parte que louva a Deus. Durante o dia, aproprio-me o mais possível; durante a noite, em sonhos, por descarga onírica, distribuo. Pelos lençóis.
À sexta-feira:
Serei da esquerda evoluída, lacoste. Só matarei embriões e tipos vegetalizados em camas de hospital. Em suma: coisas que não se possam defender. Pensarei também, muito, nas indumentárias, maquilhagens e penteados que melhor se adequam à próxima manifestação: aquela em defesa de facínoras, psicopatas e serial-killers, coitados, que o sistema fassista quer condenar à morte, no Texas ou na Cochinchina. No fundo, serei uma espécie de marxista-leninista desossado. A deslisar, sempre viscoso e babujante, de corninhos retrácteis e a causa às costas.
Aos sábados:
Serei republicano laico e progressista. Aqui é muito simples: comer e buber, ó terrim-tim-tim, passear no mundo. De manhã, à tarde e á noite. Às expensas do erário, evidentemente.
Ao domingo:
Serei conservador. Vou à missa, comungo e confesso todos os meus pecados. Dou banho à alma. Sou absolvido e recomeço tudo de novo. No meio de tudo isto, é importante conservar os escrúpulos e a consciência distraídos com qualquer coisa.

Agora não me venham dizer que não sou um gajo moderno.
Se isto não é ser moderno, então não sei o que seja. E duvido mesmo que tal disparate exista.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quando morre a eternidade?

Não é como as noites sem estrelas, têm sempre a iluminá-la o sol o teu sorriso e a claridade luminosa de teu olhar...
Ao vê-los é como se a madrugada tivesse surgido sempre, é como se a aurora a despontar vivesse.
Quando ris, tenho a impressão de que a alvorada surgiu só pra mim, quando a tua pele acaricio,
é como se o sol me envolvesse, unicamente a mim, no seu calor. Quando sinto teus beijos é como se nas minhas mão estivesse o Universo.
Se teu beijo me oferece o mundo, que riqueza eu não trocaria por ele?
Não quero que me digas um dia que eu te esqueci. Não quero que penses nunca, que te deixei de amar...
Dentro dos impossíveis vitais, esse é um deles.
Quando a Tempestade passou, ponderei:
será que esse amor morrerá um dia?
e algo dentro do meu ser, me perguntou:

Quando é que morre a eternidade?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Das Verdades Absolutas...

Originalmente em: "Mundo das Letras"

Porque será que todo "crente" tem "certeza absoluta" sobre tudo o que diz? Acho incrível eles aceitarem tão plácidamente que a idéia de um deus que fez tudo e está em tudo é suficiente pra explicar todos os segredos do universo.Como é possível que tantos "detentores da verdade" detenham tantas "verdades" diferentes??? A ciência, por outro lado, busca não a "verdade", mas respostas. Satisfatórias. PROVÁVEIS.

Sabe o que eu acho interessante? Quase todos esses supostos “detentores da verdade universal”, que explicam tudo apenas com a simplória (e insuficiente) visão de um deus em TUDO, dificilmente citam suas “fontes”. Dizem: “um professor famoso”(?), “como diria o filósofo”, e esse tipo de coisa. Nada pessoal, mas essas pessoas, aparentemente, não tem NENHUMA noção do que seja MÉTODO CIENTÍFICO. É preciso provar o que se diz, amigo. Se você cita alguém, CATALOGA a citação. Se afirma alguma coisa, tem que estar preparado para ser provado e contestado.

A teoria da evolução, se chama “teoria” unicamente para que a ciência não pareça mais uma “verdade universal”. Tudo que afirmamos, provamos. Todos os passos da Evolução podem ser verificados e provados, assim como a idade da Terra, a origem da vida gestacional, e todos os outros “mistérios” que os “religiosos” costumam explicar apenas como “milagres” ou “obra de deus”. O cientista, é antes de mais nada, um incansável inconformado. Sempre há mais para saber. Jamais aceita que algo “é assim por que é”.

Somos pessoas que dedicamos nossas vidas a procurar respostas VERDADEIRAS, prováveis, palpáveis.

É muito fácil dizer que um suposto deus nos criou, sem ter que se preocupar em provar quando, como nem onde. Até a própria origem do suposto deus é enevoada, (e indiscutível para eles). É incrível como tais pessoas usam arreios voluntariamente. Parecem não perceber que algo tão importante como a origem do seu deus devia ser algo amplamente discutido entre eles, e não ser proibida por seus dogmas, sob a pena de considerado “blasfêmia”. Vivem cegos, repetindo o que seus pastores lhes dizem! Pensam, com pensamentos alheios.

Pois eu lhes digo: Questionem!!

Questionem seu deus, seus pastores, seus dogmas. Desafiem o conhecimento pré-estabelecido, e vocês verão do que de fato suas religiões são feitas. Não tenham medo de pensar, porque lhe disseram que é pecado. O que é um pecado é você já utilizar apenas 5% do seu cérebro e ainda ter medo de fazê-lo. Pecado é viver essa vida, que é tão curta, sem sentir a emoção de PENSAR COM SUA PRÓPRIA CABEÇA. Pecado é aceitar todos os contos de fadas, anjos e demônios que te contam, sem se questionar.

E finalmente, se após pensar CRITICAMENTE sobre essas coisas (e todas suas outras dúvidas, porque não?), após pesquisar a fundo e com afinco, em várias fontes, após PROVAR suas teses (como nós, cientistas, fazemos), com a mente aberta (e aceitando que suas crenças PODEM ruir), você preferir continuar com sua fé nas mesmas coisas de antes, ao menos terá uma visão MUITO mais ampla do mundo e da vida. Para PROVAR que cientistas pesquisam, cito sua própria bíblia: "Provai de tudo e retei o que é bom". Esse "provai" tem o sentido de experimentar, buscar conhecer, testar, por à prova. Então, faça isso! Ponha suas convicções à prova. Alguns dirão aqui: "Não preciso provar nada, eu sei que foi deus que fez tudo". Mas eu lhes pergunto: supondo que seu deus nos tivesse criado, uma máquina perfeita como somos, porque nos impediria de pensar acerca de algo? Porque nos negaria alguma resposta?

E afinal, que mal te faria pensar mais um pouco?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Da Saudade e outras Índoles

blackrose

Saudade...

Sentimento estranho este.... Definido assim pelo dicionário ‘Michaelis-UOL’:

saudade

s. f. 1. Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas.

2. Nostalgia.

Ou ainda pleo dicionário ‘Aurélio’:

saudade
[Do lat. solitate, ‘soledade’, ‘solidão’, pelo arc. soydade, suydade, poss. com infl. de saúde.]
Substantivo feminino.
1.Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia:
Saudade! és a ressonância / De uma cantiga sentida, / Que, embalando a nossa infância, / Nos segue por toda a vida!” (Da Costa e Silva, Pandora, p. 83); “E uma saudade de casa começou a me agoniar.” (José Lins do Rego, Doidinho, p. 171).
2.Pesar pela ausência de alguém que nos é querido.
3.Bot. Designação comum a diversas plantas da família das dipsacáceas, principalmente da espécie Scabiosa maritima, e às suas flores; escabiosa, suspiro:
“E ela deu-lhe do seio uma saudade / Murcha, e no entanto bela” (Gonçalves Dias, Obras Poéticas, II, p. 98).
4.Bot. Planta da família das asclepiadáceas (Asclepias umbellata).
5.Bras. Zool. V. assobiador (4).
6.Bras. Cantiga da terra, entoada pelos marujos no alto-mar. ~ V. saudades.
Rebenqueado das saudades. 1. Bras. RS Que curte a dor das saudades, da separação.

Mas, sabemos nós - os que a sentem - que saudade escapa à definições; e toda e qualquer tentativa de fazê-lo lhe é uma pintura opaca, pálida.

Saudade é um misto de angústia com nostalgia e contentamento... A certeza de ser feliz bastando para isso que saibamos a causa de nossa saudade estar feliz...

Acredito que a melhor definição de saudade segue-se nas linhas abaixo, onde transcrevo dois sonetos:

Soneto de FidelidadeVinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Amor é fogo que arde sem se ver (Luís de Camões)

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões (1524-1580)

Mas mesmo estas “retratações” não dão cabo do que vem a ser realmente a saudade e de todas as implicações que sentir isto representam para quem a sente…

Mesmo assim nada há de mais doce que a saudade sanada, nenhum orgasmo é mais inebriante que reencontrar aquele(a) que lhe faz suspirar saudades pelos cantos… ou mesmo sonhar acordado!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Do Perdão e Outras Grandezas

Já há um certo tempo atrás eu falava com um amigo meu – em um final de semana que passei em casa sua – e falávamos sobre perdão; contextualizando nossa conversa em um jogo de RPG chamado “Vampiro: A Máscara”, mais especificamente em um suplemento do jogo intitulado “O Livro de NOD” ( que seria uma espécie de ‘bíblia’ para os vampiros. Abaixo transcrevo o trecho no qual Caim – após haver sido expulso do Éden de NOD, embrenha-se ainda mais nas terras ermas e encontra a primeira esposa de Adão: Lilith; que lhe ensina como despertar seus poderes dormentes…

perdono

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A Tentação de Caim

E para a Escuridão veio uma luz-fogo brilhando luminoso à noite.
E o arcanjo o Michael se revelou para mim.
Eu era destemido. Eu perguntei o que ele queria.

Michael, General do Céu, portador da Chama santa, disse para mim.
“Filho de Adão, Filho de Eva, seu crime é grande e também a clemência de meu Pai é grande.
Você não se arrependerá do mal que você fez e deixará sua clemência lavá-lo para que fique limpo?”

E eu disse à Michael, “Não por graça [do Único Acima] mas por minha própria vontade que eu vivo, com orgulho.”
Michael me amaldiçoou dizendo
“Então, para que você caminhe nesta terra você e suas crianças temerão minha chama viva que morderá profundamente e saboreará sua carne.”

E pela manhã, Raphael veio de asas de lambent.
iluminando o horizonte, o guia do Sol, vigia do Leste.

Raphael disse “Caim de Adão, filho de Eva seu irmão Abel o perdoou de seu pecado você se arrependerá e aceita a clemência do Todo-Poderoso.”

E eu disse a Raphael “Não pelo perdão de Abel, mas pelo meu próprio perdão.”

Raphael me amaldiçoou, dizendo “Então, para que você caminhe nesta terra você e suas crianças temerão o amanhecer e os raios do sol irão queimá-lo como fogo onde quer que você se esconda. Esconda-se agora para o nascer do Sol não levar sua ira até você.”

Mas eu achei um lugar secreto na terra e me escondi da luz ardente do Sol.
Profundamente na terra eu dormi até a Luz do Mundo ser escondida atrás da montanha da Noite.

Quando eu despertei de meu dia de sono, eu ouvi o som de suaves asas avançando e eu vi as asas negras de Uriel estendidas ao redor de mim.
Uriel, ceifeiro, anjo de Morte, Uriel Sombrio que mora na escuridão.

Uriel falou quietamente a mim, dizendo “Filho de Adão, Filho de Eva o Deus Todo-Poderoso o perdoou de seu pecado.
Você aceitará sua clemência e me deixará levá-lo de volta, já não amaldiçoado?”

E eu disse a Uriel escuro alado.
“Não pela clemência de Deus, mas minha própria vontade que eu vivo. Eu sou o que eu sou, eu fiz o que eu fiz, e isso nunca mudará.”

E então, por Uriel o terrível Deus Todo Poderoso me amaldiçoou, dizendo
“Então, para que você caminhe nesta terra, você e suas crianças se agarrarão a Escuridão.
Você só beberá sangue. Você só comerá cinzas.
Você sempre será como você estava na morte.
Nunca morrerá, se mantendo vivo.
Você entrará para sempre na Escuridão, tudo que você tocar irá se tornar em nada até os últimos dias.”

Eu dei um grito de angústia a esta maldição terrível e rasguei a minha carne.
Eu chorei sangue. Eu peguei as lágrimas em uma xícara e as bebi.
Quando eu observei minha bebida pesadamente, o arcanjo Gabriel, Gabriel gentil.
Gabriel o senhor da Clemência, apareceu a mim.
O arcanjo Gabriel disse para mim, “Filho de Adão, Filho de Eva, vê: a clemência do Pai é maior que você sempre soube, agora há um caminho aberto, uma estrada de Clemência que você chamará de [Golconda] e fala para suas crianças disto para que seguindo esta estrada possam morar na Luz uma vez mais.”
E com isso, a escuridão foi erguida como um véu e a única luz eram os olhos luminosos de Lilith.
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Transcrevo-o exatamente como aparece no dito livro e aqui retomo o relato de minha conversa com meu amigo.

Me queixei que ‘Deus Todo Poderoso’ só enviou seus anjos após Caim haver aprendido – com Lilith – como sobreviver em seu exílio; en toda a sua desgraça, angústia e solidão.

Então meu amigo disse algo quer eu nunca havia parado para considerar: “O Perdão só é válido quando é pleno! É muito fácil oferecer perdão – e ainda mais fácil aceitá-lo – quando se está ‘na fossa’; quando se está fraco e combalido. O PERDÃO só possui valor real; quando ele é dado a quem tem plenas condições de compreedê-lo e aceitá-lo ou não. É necessário que haja verdadeiro e sincero ARREPENDIMENTO para que os atos de dar perdão, aceitá-lo e recomeçar a partir dele sejam realmente preciosos!”.

Jamais parara para considerar tal possibilidade, e a argumentação de meu amigo reduziu minha animosidade a este ‘evento’; embora tenha suscitado em minha mente mais perguntas que respostas. Mas um mérito isso possui: modificou RADICALMENTE minha interpretação de “PERDOAR”.

Obrigado!

sábado, 9 de maio de 2009

Da Morte e Outros Aprendizados


Ontem um amigo meu faleceu, hoje passei a manhã em seu velório…


As pessoas chegavam, choravam e começavam a conversar: contando lembranças boas, engraçadas; buscando algum consolo em compartir de recordações semelhantes… e eu? EU calado ficava olhando tudo e me sentindo um alienígena; um “estranho no ninho”.

Apesar de sermos amigos, nunca fomos muito próximos: saíamos pouco (não por falta de convite, mas por falta de aceitação de minha parte); e quando estávamos juntos sempre acabávamos discutindo por alguma coisa, já que mui raramente concordávamos em algo.

Mesmo assim fiquei sentido em ver tanta tristeza e dor, mais ainda por não conseguir – ou não poder, quem sabe?? – ‘confraternizar’ daquele sofrimento, mesmo agora; escrevendo isto; sinto-me comodamente impassível… Sinto falta dele, sei que sentirei cada vez que falarem dele.

Contundo, só fui chorar ao abrir meu e-mail e ler uma mensagem que me foi enviado pela semana da amizade… Insirirei a mensagem abaixo; espero que a leiam e que ela lhes lembre de alguém querido.

Aprendi
... que ninguém é perfeito enquanto não te apaixonas.
Aprendi

... que a vida é dura mas eu sou mais que ela!!

Aprendi

... que as oportunidades nunca se perdem aquelas que desperdiçamos...
alguém as aproveitará

Aprendi

... que quando te importas com rancores e amarguras a felicidade vai para outra parte.

Aprendi

... que devemos sempre dar palavras boas...
porque amanhã nunca se sabe as que teremos que ouvir.

Aprendi

... que um sorriso é uma maneira econômica de melhorar o teu aspecto.

Aprendi

... que não posso escolher como me sinto...
mas posso sempre fazer alguma coisa em relação a isto.

Aprendi

... que quando o teu filho recém-nascido segura o teu dedo na sua mão
têm-te preso para toda a vida

Aprendi

... que todos, todos querem viver no cimo da montanha...
mas toda a felicidade está durante a subida.

Aprendi

... que temos que gozar da viagem
e não apenas pensar na chegada.

Aprendi

... que o melhor é dar conselhos só em duas circunstancias...
Quando são pedidos
e
Quando deles depende a vida.

Aprendi

... que quanto menos tempo se desperdiça...
mais coisas posso fazer.

Obrigado.