sexta-feira, 16 de novembro de 2012

*E isso doi!*


Não que alguém se importe, curta, comente ou tome qualquer outra ação possível nestas redes sociais...

Apenas é uma forma "viável" de "desabafar com alguém". Hoje senti muita falta de alguém, principalmente porque quis compartilhar algo e esta pessoa não pode estar comigo. Vivendo o momento comigo. Eu entendo que tenha outros interesses, que encontre algo que julgue mais importante que eu, mas isto não deixa de magoar, de ferir, de certa forma.
Tenho consciência que não devo esperar mais do que a outra pessoa é capaz de dar, mas isso é muito phoda de fazer! Os humanos tendem a criar expectativa uns sobre os outros, alguns até mesmo chegam a exigir que o outro se adeque, se ajuste a estas expectativas. E gente há que até tenta -mesmo que pra isso precise anular uma parte de si- apenas pelo desejo de agradar. Mas jamais vi isto dar certo. Depois de certo tempo, os dois começam a deixar de serem humanos e se vão tornando em produtos, fábricos do desejo!!

E isso também fere, magoa. Às vezes até mais que não buscar fazê-lo.
É uma equação complexa e de difícil resolução -considerando que exista uma-, Buda tem sua razão quando diz que o melhor é o Caminho do Meio: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. EQUILÍBRIO! Mas isto é algo difícil de alcançar e ainda mais de manter. Principalmente quando tantos fatores independem de nossa vontade.

Também sei não dever esperar demais, por não ter maiores vínculos com a pessoa: não somos namorados, sequer ela é apaixonada por mim (como eu sou). Mas me doi vê-la disparando em toda e qualquer direção, como se estivesse perdida, sem rumo, e também sem coragem de admitir isto pra si mesma.

Como diz Pitty "Te vejo errando e isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa chorar". E é por todas as lágrimas derramadas, por todas as ações impensadas, por todas as pequenas coisas que nos ferem a confiança, fazendo-a minguar, que às vezes até duvido que sejamos amigos. E mesmo isso também é esperar demais quando se nota que a pessoa -aparentemente- foge de exocríticas e autocríticas. Pois ficamos torcendo pela melhora, pela evolução, mas temos nosso acesso negado aos indicadores reais, factuais disto. Que somente poderiam ser mesurados através de francas conversas e atitudes inequívocas!

Não me eximo de responsabilidade na situação atual pelo extremo valor que dou a coesão e coerência dos detalhes, das atitudes. Palavras são bonitas, mas sem a firme e sólida base da ação efetiva, pouco representam. Tanto menos quando a pessoa é como sou: possuindo certa dificuldade de confiar de acreditar...

Pra mim, a confiança é algo que deve ser (re)conquistado a cada novo dia, e repensado a cada noite. A confiança não se pauta pela fé cega e inquestionável, mas pelo contínuo exercício do conhecer, do questionar e esclarecer. Creio que toda a qualquer dúvida mereça uma resposta expositiva (não importando quão idiota ou repetitiva, ou reincidente possa ser tal dúvida). Um grão d'areia parece ser nada, mas acumulando-se sob continuada pressão torna-se uma pedra, que pode fundir-se a outras e tornar-se uma rocha de proporções colossais!
É assim que vejo cada dúvida não sanada: como grãos que se vão ajuntando e virando em algo ainda maior e de difícil debelação!!!

E isso doi!
Ainda mais quando você reconhece que confiar não depende exclusivamente de si, mas também do comportamento do outro. Pois confiança que não encontra ambiente favorável, tende a definhar e morrer... E o que tomará seu lugar?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sequerência...

Gosto de acreditar que sou racional, sendo o mais lógico possível à uma criatura falível como EU: Humano.
Que consigo percerber os padrões ocultos em determidados eventos (como se eu fosse um Ozimandyas).
Mas isto não significa que os padrões que detecto me agradem, o que postarei abaixo é um destes padrões:

Atualmente, parace ser moda "virar homossexual". Como se isso fosse uma "tendência estético-comportamental".
Nesta nova "sociedade" o indivíduo não se descobriria (tomaria consciência) ser gay. O que noto é muitos 'assumirem-se "bissexuais" ou "homossexuais" para "ficar na moda", para buscar construir algum tipo de identidade de grupo!
Ta parecendo mesmo que -hoje em dia- pra se ser "legal", "descolado" e "moderno" é preciso ser homossexual, ou bissexual. Ou como está ficando no glossário 'politicamente correto': "sexo-diverso".
E isso é escroto pra caralho! Eu me sinto muito ofendido com esse povo que age como se ser 'homossexual' e ser 'gay' fosse a mesma coisa!

Ser gay tem muito mais implicações político-ideológicas que ser homossexual, mas o que vejo é um bando de gente sem-noção falando merda e fazendo apologia à coisas que sequer compreendem!

Vejam bem: sou homossexual, sim. Nunca tive problemas com isso (normalmente são os outros que tem problemas com minha sexualidade...), sou 'gay' até certo ponto - no tocante a certos padrões de comportamento, entonação vocal, na certeza que minha sexualidade é tão válida quanto qualquer outra por não oferecer quaisquer riscos reais à integridade física, psicológica e/ou moral de outrém.

Diferenças entre Gay e Homossexual

Mas realmente não sou "bichinha" (para classificar pessoas que usam sua homossexualidade, ou seu 'gayismo' para agredir, dissociar outras pessoas); embora eu falhe e por vezes emita opiniões un tanto preconceituosas [este post provavelmente será tomado por alguns como manifestação de preconceito]; e nem acho legal essa apologia que andam fazendo de "você precisa experimentar pra saber se é ou não".

Gente! Ou se sente real interesse sexo-afetivo por alguém do mesmo sexo ou não.
Mas pra ser "moderninho"? Que mentalidade vazia é essa??!
Pra que? Fala sério!!!!!!!

Quando eu tenho namorado -o que anda um tanto raro na minha vida ultimamente- eu demonstro todo meu carinho: me beijo na rua sim! (se ele permitir, já que não posso obrigar alguém a nada), mas não faço isso pra ser "rebelde", pra "chocar a sociedade".
Faço porque é MEU DIREITO, porque demonstração de afeto NÃO É CRIME. Porque se demonstrar afeto por outra pessoa fosse crime, héteros também não deveriam se beijar em público. E um homem não poderia bater foto com seu irmão, ou aquele amigo que às vezes parece mais seu irmão que o irmão-de-sangue.
Se as pessoas não puderem demonstrar seu afeto pelas outras, que bosta de mundo seria esse??

Quer se beijar na rua? Faça!
Mas pelos motivos certos, porque é seu direito. Não pra "forçar a aceitação". Isso já é idiotice cega e fanática.


Mesmo porque, quanto mais se bate em alguém, mais essa pessoa resistirá! Não se pode simplesmente impor que "de agora em diante" todos considerem a homossexualidade comum, corriqueira.
Embora muita documentação - tanto antiga quanto moderna - indique que isto sempre ocorreu nas sociedades com maior ou menor grau de aceitação, você somente "ganhará" uma pessoa à causa gay {que nada tem a ver com homossexualidade} fazendo-a questionar a tudo e a si própria.
Questionar onde realmente mora a problemática de um casal composto por pessoas do mesmo gênero sexual possam contrair matrimônio no civil.
Se são cidadões em todas as outras instâncias da existência sócio-política



Porque não podem usufruir dos outros direitos civis e/ou penais?

O mesmo pode ser observado da (auto)exploração que muitos adolescentes atualmente tem feito de sua própria imagem em redes sociais, publicando imagens que as apresentam mais como objeto que indivíduo:

Considero curioso pessoas que podem ter discursos contra e "coisificação da mulher"; mas postam auto-retratos que os coisificam. É como se falatasse coerência entre discurso e atitude.

E se o padrão for realmente este, isto é muito mal - péssimo em verdade! Pois padrões sócio-culturo-comportamentais espalham-se de forma exponencial, se não houver um contra-peso, algo que se possa usar como referência, o que nos aguarda daqui a algumas poucas décadas???


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

*"deus lhe ama de uma forma inimaginável"*


Bom dia!
(ao menos creio/espero que seja um bom dia...)

O título desta postagem foi a última frase dita por um teísta amigo meu (quando não estamos quase nos matando por nossas diferenças de visão de mundo, sim somos até bons amigos); que nem é tãããããããão teísta assim (um cara que bebe e fuma, não é exatamente a imagem de devoto que somos ensinados a compor em nossas mentes, não é mesmo? Mas deixando os detalhes de lado.

Falávamos sobre o "amor infinito de deus" e ele citava Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá, e uma série de outras pessoas que agora não recordo-lhes os nomes; sempre frisando que estas pessoas eram a manifestação do amor de deus na terra.
Eu falava que só conseguia ver a boa e velha capacidade do Ser Humano em praticar o bem quando assim o deseja fazer. Que discordava que ele devesse creditar tudo a deus. Ele, claro, insistia.

Então propus o seguinte:
Eu--Deus é a origem de tudo que existe?
Ele--Sim, é ele.
Eu--Então Deus criou o Mal que assola o mundo.
Ele--Não!!! Quem criou o mal foi Satan quando se rebelou contra Deus.
EU--Ok.OK! MAS Deus criou Sammael e, sendo Oniciente, Onipotente e Onipresente; já sabia de ante -mão o que aconteceria. Na verdade ele criou-o, Sammael, para que ele se rebelasse!! É tudo obra de Deus, então o Mal também é de Deus. Mas não vejo ninguém dizendo "obrigado Deus por este atropelamento que sofri e me deixou aleijado pelo resto de meus dias". Na verdade vejo o OPOSTO!!!
Ele--Não. Tás entendendo errado. Deus faz essas coisas pra testar a fé das pessoas nele.
Eu--Ah-há!!!!!!! "Deus faz", tu disseste!! "Deus faz"! Viu??!! Ele É a causa de todo o mal que existe, então Satan é uma pobre vítima do sistema!
Ele--Pronto, já vai começar...

Nessa hora ele já tava se aborrecendo... Mas nesta noite em que isso ocorreu, eu não tinha interesse de brigar com ele, então larguei de mão.
Mas esta coisa do "amor inimaginável de  deus" por mim, ficou me incomodando, os dias seguiram, vi jornais, noticiários, o Bolsonário...
Bem, aí me ocorreram os seguintes questionamentos:


Se ele me ama assim, de um jeito inimaginável, porque tem tanta gente dizendo que ele vai me mandar pro inferno porque sou gay?
Porque se ele me ama, ele deve querer que eu seja feliz com minhas escolhas, com meu livre-arbítrio. Então, se ele me condena (como a maioria dos cristãos costuma dizer) porque eu ESCOLHI algo (e olha que tem coisas que nem são 'escolhas'), que ele desaprova, e por isso queimarei na danação eterna, ele realmente me ama e me quer feliz incondicionalmente??
Ou ele é fascista e, portanto, ele só me permitiria ser feliz com aquilo que ele manda??!
E se for apenas pelo que ele manda (obriga mediante coerção); pra que nos deu a capacidade de escolha? Pra ter uma desculpa pra nos castigar depois??
Mas será que apenas as consequências naturalmente advindas duma escolha mal feita já não são castigo suficiente?!?
Ele precisa mesmo ficar me torturando pela eternidade???!

Parando pra pensar nisso tudo, fica difícil crer no"amor inimaginável de deus".




*frankj costa*

sábado, 1 de setembro de 2012

Façam feio nas Eleições 2012(!)


Bem, o que vou colocar aqui poderá ofender alguns, fazer rir a outros e ser absolutamente insignificante e indiferente a outro tanto, mas vamos lá!


Hoje, randomicamente, eu escrevia palavras-chave no youtube, buscando algum vídeo interessante pra assistir ou memso downloadear... Lembrei de um filme chamado "Dias" e tentei encontrá-lo; bem não o achei, mas encontrei outro vídeo; destes enfadonhos e pestilentos vídeos que ocorrem em período eleitoreiro. O assisti porque era curtinho; de um candidato local (que não interessa a ninguém pois seria promoção indireta de tal candidato) e, ao longo do discurso ouvi a seguinte frase:
"...elejer (fulano) para câmara de vereadores, para fazer diferente (...) para dar opção (...)"

Antes de continuar, quero esclarecer que os (...) suprimem partes não-essenciais para o que quero falar; são trechos que - transcritos - fariam apologia ao partido do concorrente ao pleito, e isto seria fazer propaganda (e o pior, de graça!!!); poderiam reconhecer a legenda e candidato e isto não é interessante pro exercício que proporei.

O trecho acima contido entre ""; demonstra uma coisa que considero desconfortavelmente engraçada: todo candidato diz que -se eleito - fará a diferença; e o povo (em sua eterna síndrome de gado) acredita. Bem, estimadas formas humanóides auto-censcientes baseadas em carbono, isto (o candidato que fará a diferença) NÃO EXISTE!!!

Afirmo isso por uma questão muito simples que pode ser melhor explanada após a leitura do seguinte link:

Para os "witch hunters", que consideram a Veja uma manifestação de forças entrópicas contrárias à Ordem Natural do Universo (o que é uma bobagem que qualquer físico quântico poderá elucidar eficientemente), disponibilizo um link mais "neutro" e abrangente:

Ainda podem acessar este documento em meu servidor online:

Mas, abaixo, tentarei dar um resumo:
A Câmara Municipal é o Poder Legislativo da cidade. É o órgão público onde atuam os vereadores eleitos pelo povo, que têm como funções principais:
a) elaborar as leis;
b) fiscalizar os trabalhos do Poder Executivo (as ações do prefeito frente à administração do município) e sugerir ações e melhorias para a cidade.
A estruturação dos trabalhos na Câmara e o número de vereadores para cada município são previstos pela Constituição Federal e pela Lei Orgânica do Município – uma espécie de "Constituição Municipal". A cada eleição, o(a) vereador(a) cumpre um mandato de quatro anos.
Além das atividades legislativas oficiais, a Câmara exerce (ou deveria exercer) o papel de caixa de ressonância dos problemas da população.



Tendo isto em mente, volto ao início: o "candidato que fará a diferença" NÃO EXISTE!!!
Porquê??, você criança cética e esperançosa, me perguntará. Bem é este o raciocínio resposta:

O "candidato-salvador" consegue convencer gado suficiente para ser eleito, assume o mandato. Lindo!!! Mas e aí???

Ok. ele apresentará projetos de leis, proporá mudanças benéficas para a população; enfim fará seu trabalho como ele DEVE ser feito!! Magavilha!!
MAS... ELE NÃO ESTÁ SÓ!!!(pasmem.!.) para aprovar suas ideias e torná-las em lei ele precisa dos outros seus co-associados na câmara.
Ah... A sabedoria do Dito Popular que declara: "andorinha só não faz verão"...

Obviamente - considerando que a forma de fazer-se política no Brasil é nos moldes da "politicagem do toma-lá-dá-cá"; nosso intrépido salvador encontra-se forçado pelas ciscunstâncias a fazer 'concessões', 'acordos' e outras atitudes um tanto "questionáveis" para conseguir apoio para seus projetos e aprová-los, afinal "É PARA O BEM DO POVO QUE FAÇO ISSO!"

Estimados leitores, espero - sincera e profundamente, que ninguém resolva optar por ofender-se com minha postagem.
Mas caso alguém opte por tal caminho, somente posso lamentar por este indivíduo. Pois a mim, agradar-vos ou não é insignificante!

Agradeço a visita e os comentários (se houver...)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

RELIGIÕES E INTOLERÂNCIA: o texto antológico de Drauzio Varella


Intolerância religiosa

por DRAUZIO VARELLA

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo em 21.04.2012

SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.

A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.
Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.
Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.
Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.
Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.
Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?
Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?
Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?
O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.
Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.
Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.
O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade - quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.
Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.
Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.


*frankj costa*

sábado, 28 de abril de 2012

DO PORQUE VOCÊ VOTA EM QUEM VOTA?

Eleições chegando e mais uma vez seremos obrigados a aturar todas as falácias de nosso "excelsos" candidatos; ok! Sei que alguns ainda são "flor que se cheire", mas a que preço??

Existe uma coisa que sempre me incomodou desde que acordei para a vida e comecei a questionar as coisas:

PORQUE O VOTO NO BRASIL É OBRIGATÓRIO?!


Sério gente: em uma "democracia livre", porque o cidadão é coagido a comparecer às urnas a cada pleito? Inclusive sofrendo punições caso "exerça seu direito" a não-votar??

9 - O que acontece se eu não votar e não justificar a minha ausência?
O eleitor que não votar nem justificar sua ausência nos prazos determinados pela Justiça Eleitoral incorrerá em multa imposta pelo Juiz Eleitoral. Sem a prova de que votou, pagou multa ou de que se justificou devidamente, não poderá o eleitor inscrever-se em concurso público, obter passaporte ou carteira de identidade, renovar matrícula em estabelecimentos de ensino oficial, obter empréstimos em estabelecimentos de crédito mantidos pelo governo, participar de concorrência e praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda. Se o eleitor deixar de votar em três eleições consecutivas, seu título será cancelado.


Agora vejamos: SE eu - cidadão brasileiro pagador de impostos (portanto sustentáculo do Judiciário, Legislativo e Executivo), resolver que todos os candidatos ao cargo eletivo no presente pleito NÃO SÃO merecedores de minha escolha, NEM DIGNOS de gerenciar a Nação; ou que as plataformas de campanha dos partidos não são suficientemente esclarecidas e convincentes quanto ao projeto de resolução dos problemas do país. E então, optar por não desperdiçar meu tempo indo ao local de votação e nem 'justificar' meu "pecado" político, não poderei mais usufruir dos bens e serviços públicos???? Me tornarei um indigente???
Se funcionário público eu for, passarei fome??



...II - receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou paraestatal, bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês subseqüente ao da eleição;...


Que raio de liberdade democrática (ou seria demagógica??) é esta em que vivemos???
Então, se nenhuma das opções me apetecer, mas eu ainda assim ter que escolher - sou analfabeto político se voto nulo, ou em branco?? - ou devo seguir a filosofia idiotizante do "menos pior"??


Muitos nos querem convencer que votar assim - NULO - é jogar fora nosso exercício de cidadania, que fazendo isto, não se poderia reclamar da situação atual do País. Então votar nulo NÃO É PROTESTO, mas VOTAR NO TIRIRICA É??




Estas São apenas algumas das proposições que faço. Mas eis que encontro na web um texto que transcreverei abaixo que serve perfeitamente para exemplificar o que o que digo:



(i)Por que o voto é obrigatório no Brasil?
A resposta a esse questionamento parece simples: todos temos a obrigação de votar, porque a Lei (CF/88, art. 14, § 1º.) exige e pune quem a descumprir. Então a questão deveria ser reformulada: por que fazer leis obrigando o cidadão a votar? 
De antemão, devemos lembrar que a Constituição Federal foi elaborada por políticos (deputados e senadores), através da Assembléia Nacional Constituinte. Portanto, foram eles que imprimiram na Carta Maior a “imposição” do voto. Isso configura “legislação em causa própria”, pois tais políticos sabiam que o voto facultativo no Brasil não daria certo. Seria ínfimo o número de eleitores “voluntários”. Conseqüentemente, a ausência de votantes exigiria a implantação de um novo sistema eleitoral. A propósito, fala-se muito da arrogância e do monopólio americano (e concordo com isso). Entretanto, os Estados Unidos adotam o sistema do voto facultativo. Ainda assim, a população em massa vai exercer sua cidadania. Ademais, os eleitores daquele país se envolvem nas campanhas dos candidatos, participam de prévias e convenções dos partidos.
Logo, a tese de que o voto facultativo desestimula o comparecimento às urnas é infundada. Aliás, uma pesquisa comprovaria que os brasileiros votam desmotivados, justamente porque são obrigados a tal sacrifício. Exercem o dever e não o direito.

(ii)A saga das urnas eletrônicas
“Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo tira parte da roupa velha, e fica maior a rotura”. (Marcos, 2.21)
Há uma propaganda maciça de que o sistema de urna eletrônica é bastante moderno e praticamente infalível.
Entretanto, estão colocando remendo novo em tecido velho. Isto é, o que adianta ter um sistema tão avançado atuando num contexto extremamente atrasado? Para que fazer uso de tecnologia de ponta, quando as mentes e a educação dos que comandam esse sistema não progridem?
“Ontem, fui exercer meu “direito obrigatório” de cidadão. No entanto, permaneci quase uma hora na fila. Motivo: urnas com defeito na minha seção.
A primeira estava em boas condições. Mas, aproximadamente uma hora e meia depois, parou de funcionar. A partir daí, iniciou-se uma saga de urnas quebradas, que iam e vinham. No total foram 8 (isso mesmo, oito, VIII, eight, ocho, huit, ********) urnas que não serviam para nada.
Houve protesto na fila – obviamente. Formou-se tumulto. Mesários foram ameaçados e quase agredidos fisicamente. A polícia apareceu; a imprensa também.
Ao perceber que não tinha alternativa, o TRE decidiu, quase 6 horas depois, que o voto seria manual, ou seja, por meio do papel.
Não vimos técnicos em informática aparecerem para verificar se o defeito era realmente nas urnas. Não testemunhamos a presença de eletricistas para observarem se o problema era na fiação elétrica da sala. O TRE decidiu muito tarde substituir as urnas pelas cédulas. Foram muitos os remendos velhos costurados sobre o tecido novo do sistema de votação tido como o mais avançado do mundo.
Indubitavelmente, se eu não tivesse a obrigação de votar, deixaria aquela fila na primeira meia hora. Não iria estragar meu domingo. Atitude que a maioria daqueles eleitores também tomaria.
Getúlio Vargas, o déspota que se disse pai dos pobres, se travestiu de democrata e se matou pretendendo ser herói, permanece o principal fantasma a habitar a política brasileira. Mas com o fim da ditadura militar ele ganhou uma nova companhia, a do voto obrigatório.
De disfarce à tirania o voto obrigatório passou a ser sinônimo de garantias democráticas e por isso defendido pela maioria dos parlamentares.
Mas o voto obrigatório é mais do que "apenas" parte do ritual eleitoral. Ele é uma forma de aprisionar a liberdade do sujeito dirigido cada vez mais pelo espetáculo midiático que a televisão proporciona diariamente em nossas casas através de uma lei que obriga a transmissão de programas eleitorais.
É outra medida obrigatória do nosso regime democrático em nome da educação política mas que funciona apenas para as TVs abertas poupando os assinantes de TV a cabo.
Ela é destinada ao cidadão mediano, com escassos recursos materiais e prisioneiro preferencial das telerrealidades criadas diariamente para entretê-lo.
A democracia, não só no Brasil, transformou-se em ritual eleitoral eletrônico que funciona associando educação política à eleição. Quando muito, instrui as pessoas a formarem grupos que aceitem a participação dentro do esquema das reivindicações seletivas organizadas pelos governos.
Hoje em dia elas são orientadas pelo princípio das sondagens eletrônicas que pretendem garantir a continuidade dos partidos ou das alianças políticas. As pessoas permanecem educadas para acreditar nos governos e a democracia se transformou num regime midiático, de respostas imediatas, que prioriza as pressões que possam ser transformadas em apoio político.
Com a midiatização da política, daqui para frente, seja com a continuidade do voto obrigatório ou com o regresso do voto facultativo, os governantes esperam irrisórias alterações significativas, mantendo sua eficiente educação que faz jovens e adultos acreditarem que votam livremente, mesmo quando coagidos.
Hoje em dia não se admite a sublevação contra a opinião pública. Isto seria considerado um crime!
Estamos no tempo da ditadura da opinião pública organizada pelas mídias. Um tempo em que os tiranos se apresentam como democratas juramentados como sempre em nome do povo, dos miseráveis, dos pobres, dos carentes, oprimidos ou excluídos.
Não há mais o perigo da ditadura da opinião pública, da ditadura da maioria; hoje ela é governo.
E você aí, por quê vai votar?

*frankj costa*





domingo, 1 de abril de 2012

Tudo mentira

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Aristóteles (384-322 a.C), o pensador grego, só aceitava duas maneiras de mentir: diminuindo ou aumentando uma verdade. O teólogo Santo Agostinho, no século IV, resolveu complicar o assunto descrevendo seis tipos diferentes de mentira: a que prejudica alguém, mas é útil a outro; a que prejudica sem beneficiar ninguém; a que se comete pelo prazer de mentir; a que se conta para divertir alguém; a que leva ao erro religioso; e. finalmente, a que ele considerava a "boa" mentira, que salva a vida de uma pessoa. Para as modernas ciências do comportamento, porém seja qual for a história falsa, a realidade é uma só: mentira é aquilo que se queria que fosse verdade.
O ato de mentir, contudo, é menos ou mais tolerado conforme os valores de cada povo e cada época. E até numa mesma sociedade podem coexistir graus diferentes de aceitação (ou repúdio) da mentira, de acordo com as expectativas que cada grupo social pode ter em relação aos demais. Os povos antigos, de maneira geral, condenavam a mentira, mas podiam mudar de ideia a partir do contato com outras culturas. Por exemplo, os povos da velha Índia tinham o preceito de só mentir para salvar um hóspede. No mais, os budistas pregavam que mentir equivalia a matar dez homens. Em tempos recentes, com a chegada dos colonizadores ingleses, a mentira passou a ser aceita com naturalidade pelos indianos, que a ela recorriam até para salvar a própria pele.
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Quando os animais mentem
A mentira, na natureza, é uma arma de sobrevivência. Muitas vezes, na luta contra o predador, a presa só tem chance de escapar se souber mentir bem. E o caso dos camaleões, que, graças à pigmentação especial da pele, se confundem com o ambiente. Ou de certos caranguejos, que vivem com a carapaça coberta por algas ou esponjas. Os insetos são especialistas em se fingir de cortiça ou de gravetos no tronco de árvores. Essas e muitas outras formas de mentira atendem por um único e verdadeiro nome científito - mimetismo.
O fenômeno foi estudado pela primeira vez pelo naturalista inglês Henry Walter Bates (1825-1892), que observou o comportamento das borboletas no vale do rio Amazonas. Ele descobriu uma família de borboletas que conseguia escapar dos pássaros tornando-se parecida na forma e na cor com outra família. cujo sabor não agradava às aves. As borboletas apetitosas tratavam de voar misturadas às outras. Hoje se sabe que os animais memorizam certos padrões de aparência quando associam determinada presa a um gosto nauseante ou à dor. Portanto, mentiroso competente é aquele que consegue assumir uma aparência pouco atrativa para o predador.
Existem, porém, casos de automimetismo: animais que imitam outros da própria espécie. Os zangões, por exemplo, quando estão prestes a ser atacados, voam e zumbem como abelhas, que, como bem sabem os atacantes, têm ferrões para se defender-se a mentira pega, os zangões se salvam. Nem sempre, contudo, é a presa o mentiroso. Isso acontece no caso clássico do lobo em pele de cordeiro, ou seja, o animal que finge ser manso, se aproxima calmamente de outro com ar de quem não quer nada e sai ganhando uma refeição.


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Para ler tudo: Tudo Mentira